Ipanema e a Antiga Fazenda Barra

A história de Ipanema começa em 1671. Em dezembro daquele ano o sítio Barra integra a sesmaria doada a Bernardo Vieira de Melo (o velho), Antônio Pereira Pinto e Manuel Vieira de Lemos. Era uma grande porção de terra que ia da Mata ao Sertão, atingindo o centro e o Sul do Agrestei. O centro da sesmaria era a serra do Opi, onde hoje fica a atual cidade de Jupi: “junto ao riacho Lima, correndo para o Sul até a serra do Bocú e da terra do mesmo riacho Lima correndo pelo rio de Ipojuca a Lima de uma banda e de outra até a serra de Tacoaty.”
Antônio Pereira desistiu das terras e as doou a Vieira de Melo, assim como Vieira de Lemos, que também as cedeu, exceto o sítio à beira do Ipanema, onde resolveu se fixar. Isso torna a antiga fazenda Barra a primeira propriedade rural da região de Pesqueira, excetuando-se os currais de João Fernandes Vieira. Podemos dizer então que em dezembro passado a velha fazenda Barra completou 340 anos! Na mesma época era instalada a missão de Ararobá pelo Pe. João Duarte do Sacramento exatamente no lugar que mais tarde viria a ser a vila de Cimbres.
O sítio Barra ganhou esse nome por nele ficar localizada a barra dos rios Ipaneminha e Frecheira, formando o rio Ipanemaii, que depois “rebatizaria” a própria localidade.
Em fins do século XVIII entra na história do sítio Barra o famoso capitão André Cavalcanti, que também assinava André Arcoverde, bisavô no notável Cardeal. Naquela época ele adquiriu o sítio a José Vieira de Lemos, onde veio então a residir. Não consigo precisar a data, mas creio que foi por volta de 1796 ou 1797, conforme informações de José de Almeida Macieliii. Com certeza, em 1809, há anos ele já vivia lá, pois foi na sua fazenda que faleceu sua esposa, dona Úrsula Jerônimaiv
Foi em 1909, com a passagem dos trilhos da antiga Great Western, que o sítio Barra teve seu nome mudado para “Ipanema”v, o mesmo nome da estação ferroviária construída.
Não encontro, até o momento, nenhuma informação precisa sobre a localização da antiga casa grande da fazenda. Em conversa com alguns moradores de lá, percebi controvérsias. Sobre a capela, os moradores mais velhos afirmam que a existente é a original. A informação tem sentido, pois Zeferino Galvão (em obra já citada), afirma que em 1920 Ipanema tinha 2 casas, 20 moradores e a capela de São Joaquim. Ora, que sentido há na construção de uma capela pública por parte da Igreja numa comunidade na época tão pequena? De fato ela devia vir da fazenda, tendo sido então uma capela particular.
Sobre o seu orago, Zeferino Galvão afirma que era São Joaquim (em 1920), mas o atual, como é notório, é N. Sª da Conceição. Em conversa com Pe. Eduardo Valença fiquei sabendo que houve reforma na capela em alguma época e que não há quaisquer informações sobre a existência da imagem de São Joaquim, fato comprovado pela fotografia do altar feita por Roseane Brito.
O povoado de Ipanema fica num lugar muito agradável, favorecido pela natureza ao redor. O povo é simpático e hospitaleiro. O lugar tem muita história, teve uma importância política muito grande no século XIX, lá ainda existem algumas casas antigas bem conservadas. Falta divulgação e cuidado, falta reconstruir a velha estação ferroviária, reativar a linha entre Sanharó e Mimoso para um passeio histórico passando por lá. Para alguns uma grande besteira, para outros um sonho enorme.
Por Marcelo Oliveira do Nascimento.

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Agradecimentos a Roseane de Carvalho Brito pela fotografia do altar da capela.
FONTES:
iBARBALHO, Nelson. Caboclos do Urubá. FIAM/CEHM. Recife, 1977. Pg. 40.
iiGALVÃO, Zeferino. Antologia. Governo de PE. Recife, 1924. Pg. 99.
iiiMACIEL, José de Almeira. FIAM/CEHM. Recife, 1980. Pg. 137.
ivFonte citada no item anterior.
vZeferino Galvão, fonte já citada.

Este artigo pertence ao Pesqueira Histórica.

Nossa Senhora das Montanhas

Imagem cedida por Pe. Eduardo Valença

Dentre vários assuntos polêmicos a respeito da nossa história está a construção da igreja de Nossa Senhora das Montanhas em Cimbres. Não vou nem entrar na questão da reforma/reconstrução de 18431, não no momento. O que quero falar agora é sobre o início de tudo, da construção original.
Conforme eu mesmo já registrei2, alguns historiadores afirmam que a igreja foi construída originalmente por Lourenço das Neves Caldeira e sua esposa, que apoiaram os padres da congregação de São Felipe Neri nesta obra. No entanto nenhum deles dá data exata da construção.
Altar da Matriz de Cimbres
Sabemos que em 1680 já havia em Monte Alegre (a futura Cimbres) culto a Nossa Senhora das Montanhas, conforme o comentário de José Antônio Gonsalves de Mello no volume 6 dos Anais Pernambucanos de Pereira da Costa, falando sobre as terras de João Fernandes Vieira:
“Que essas “novas terras” deviam abranger a região do Ararobá pode concluir-se pelas extensas propriedades que ele ali possuía já no ano de 1680, onde tinha como seu representante o Capitão Manuel Caldeira Peixoto, conforme documento datado da Aldeia de Nossa Senhora das Montanhas 28 de dezembro de 1680: Tombo dos bens da Congregação do Oratório do Recife fls. 187v-188.”
Temos também um registro do 2o. Cartório de Garanhuns (Livro 11, fls. 80):
“Saibam quantos este público instrumento de carta de alforria virem como no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e vinte e sete anos nesta Capitania do Ararobá no sítio da igreja de Nossa Senhora das Montanhas missão da dita capitania onde eu tabelião fui vindo aí perante mim tabelião…”
A primeira missão fundada pelo Pe. João Duarte do Sacramento em Pernambuco foi a de Limoeiro em 1662, onde com o a poio do governador Brito Freire, que era seu amigo pessoal, construiu a primeira igreja do Agreste3. A igreja da missão de Ararobá foi então construída posteriormente.
Agora a excelente informação do próprio Francisco de Brito Freire, que era também, além de governador, escritor:
“E para habitarem (os indígenas) na vizinha dos nossos, lhes fizemos duas povoações novas, e Igrejas em ambas, com seu modo de governo, nomes e varas de Ouvidores, e de Juízes, entre si mesmos. Porque cometendo algum culpa digna de demonstração para escramentarem os mais, recebam uns, dos outros, o castigo, e só da nossa mão os favores. Batizados, e assistidos do Venerável Padre João Duarte do Sacramento, que pelo imenso fruto de copiosas almas, é assim aclamado do aplauso universal, como Apóstolo do Brasil.”
Esse trecho de História da Guerra Brasílica (de 1675) é uma transcrição feita por Nelson Barbalho (O.b. Cit. p.77-78). As duas povoações citadas são as missões do Limoeiro (hoje a cidade de mesmo nome) e de Ararobá (hoje Cimbres). Brito Freire deixou claro que a construção da igreja de N. S. das Montanhas se deu em sua época. Ora, sabendo que ele foi governador de Pernambuco entre 1662 e 16644, então é muito provável que a igreja primitiva tenha sido construída nessa época! Isso seria a comprovação de um erro em relação ao ano da fundação da missão de Ararobá, que muitos acham (inclusive eu) ter sido em 1669. Em 1665 Brito Freire já não estava mais no Brasil, e sim em Portugal! Essa informação pode render muito ainda, mas ficará para um momento mais oportuno.
Agora sobre a invocação a N. S. das Montanhas.
Primeiramente preciso reconhecer que jamais tinha ouvido falar sobre qualquer lenda referente à invocação da matriz de Cimbres, mas é Pereira da Costa5quem nos conta como segue:
“A construção do templo, e da sua invocação, se prende uma lenda regional, do encontro de uma linda imagem da Virgem, por uma índia, e que levando-a para sua casa, desaparecera, sendo depois encontrada no mesmo local; e que repetido o fato, foi resolvida a construção de uma capela no próprio sítio, o que foi feito, e colocada a imagem no seu altar, assim ficou e se conserva até hoje, vindo daí a sua invocação de N. S. das Montanhas.”
Não sabemos se a imagem do orago da matriz de Cimbres é ainda a original, mas é bastante diferente das de Santa Águeda e N. S. Mães dos Homens, de Pesqueira. Estas são grandes e imponentes, ambas do século XIX. A de Cimbres é simples, delicada e tão pequenina que quase desparece no topo do altar, mas, maior é que qualquer outra quando o assunto é história e tradição.
Marcelo O. N.
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FONTES:
1 COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais Pernambucanos – Volume 6: . 2.ed. Recife: Fundarpe, 1984. p. 239.
2Pesqueira Histórica – Volume 1. Clube de Autores, 2012.
3BARBALHO, Nelson. Cronologia Pernambucana – Volume 5. FIAM/CEHM. Recife: 1982, p. 77.
4ANTUNES, Cristina. http://www.brasiliana.usp.br/node/354 , acesso em 25/08/2012.
5Ob. cit. p. 239.

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A Casa Grande da Fazenda Gravatá | Por Marciana Nascimento

A fazenda Gravatá fica localizada a aproximadamente 4 quilômetros do centro da cidade de Pesqueira e foi fundada em 1818 pelo sargento-mor Antônio Cavalcanti de Albuquerque Melo em terras encravadas na propriedade da fazenda Poço Pesqueiro, pertencente a seu tio Manuel José de Siqueira, capitão-mor fundador da cidade. A casa grande (Figura 1), cuja fachada dizem possuir 75 metros de extensão, conta com vários cômodos (todos amplos), incluindo três salas, oito quartos, copa e cozinha e uma capela interna. Na propriedade havia ainda uma cisterna imensa, um engenho de rapadura, uma bolandeira utilizada para descaroçar algodão e um açude (1).


Figura 1
Foto: Nascimento, 2011

Alguns anos depois a propriedade da fazenda passou para o comendador Antônio de Siqueira Cavalcanti, que era da mesma família, até que em 1874 a mesma foi vendida ao major Cândido Xavier Pereira de Brito, o caridoso Barão de Cimbres. Seu Candinho, como era conhecido, era um homem de atitudes honestas e religioso. Dizem que nunca maltratou, ou deixou maltratar, qualquer dos seus escravos. O que pode ser considerada uma prova da sua convivência tranqüila com os escravos é o fato de ter mandado construir uma nova senzala ao lado da casa grande, para que os escravos ficassem perto da residência. Diz-se que o Barão, assistia com satisfação os festejos no pátio da casa, organizados todos os anos pelos escravos que celebravam a devoção a Nossa Senhora, rezando a novena e fazendo grande festa no último dia do mês de maio. Esta celebração era compartilhada inclusive por muitos vizinhos moradores das redondezas atraídos pelos festejos (1).


A casa encontra-se atualmente bem conservada, inclusive a senzala ao lado, que contém poucas avarias (Figura 2). Diz-se que até as portas e janelas são ainda as originais.


Figura 2
Foto: Nascimento, 2011

Depois da morte do barão, em 1894, a fazenda passou, por herança a seu sobrinho José de Sá Pereira, que era conhecido por Juca. Logo em seguida a propriedade foi vendida ao cel. Antônio Cordeiro da Fonseca e, após sua morte, nos anos 20 do século passado, passou por compra para a propriedade de Praxedes Didier, estando em posse da família até os dias de hoje.


Por que deve ser restaurada e tombada
A Casa da Fazenda se encontra em bom estado de conservação, porém há sinais superficiais de deterioração em alguns pontos da edificação. É necessário se considerar a restauração e o tombamento da Casa Grande da Fazenda Gravatá porque seu  valor histórico é incontestável, sendo uma das últimas construções da região, se não a última, que preserva ainda esta estrutura típica de fazendas do século XIX, mantendo inclusive ainda a existência da senzala.


Teoria da Restauração de Camillo Boito
Para restaurar o referido patrimônio, poderia ser aplicada a teoria da restauração de Camillo Boito, que consistia em preservar prioritariamente o valor histórico do edifício. Para o teórico, o restauro era considerado uma opção a ser evitada, pois ele defendia que a preservação da edificação deveria ser mantida ao longo do tempo, evitando assim que esta viesse às ruínas. A restauração era vista por ele como um ato de intervenção que somente seria usado quando extremamente necessário, após os procedimentos que garantissem a manutenção do monumento histórico. No caso de ser necessária, Boito defendia que deveriam ser preservadas e evidenciadas as características da obra original, de modo que ficasse em evidência a intervenção, para que se distinguisse claramente a obra antiga e o restauro, já que o teórico priorizava o valor documental das construções.


Marciana Nascimento.


Referências Bibliográficas:
(1)   WILSON,Luís. Ararobá,Lendária eEterna. Pesqueira:Prefeitura Municipal.1980.

Matéria adaptada do trabalho acadêmico “Bens Patrimoniais da cidade de Pesqueira” do componente curricular Preservação do Patrimônio Cultural (PPC) ministrada pela Professora Formadora Viviane Castro e pela Tutora Martha Queiroz do curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental- IFPE ( fevereiro/2012).


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Sobre a Data da Capela de N. Sra. Mãe dos Homens

Nas pesquisas sobre a data da construção da capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens, encontramos duas informações conflitantes: 1802 e 1822. Eu, particularmente, sempre achei que o correto fosse a data mais antiga, conforme já registrei aqui mesmo no site (ler aqui) e no meu primeiro livro (1), no entanto, depois da releitura de algumas fontes e o encontro com novos registros me deixaram numa grande dúvida.
A fonte principal que me levava a ter como certo o ano de 1802 é o registro de Zeferino Galvão na sua monografia Pesqueira em 1920 (2), pois ele, além do grande conhecimento que tinha (sobre diversas áreas, e não só sobre Pesqueira), deve ter conhecido bem a primitiva capela. Esse é o registro mais antigo que encontro tratando da data da construção. O Livro do Tombo da Paróquia de Santa Águeda, que funcionou até 1888 na capela, registra o fato do seu funcionamento provisório, mas não fala nada sobre a época da construção:
Até o ano de 1889, nesta cidade de Pesqueira, ainda não havia uma igreja nas condições de ser matriz da freguesia, apenas tínhamos uma capelinha de antigos fazendeiros da localidade que, por suas acanhadas proporções, não acomodava mais de duzentas pessoas.
É importante lembrar ainda que Zeferino Galvão nasceu em 1864 e chegou a Pesqueira ainda na infância, por volta de 1868/69 (3) . Logo, quando a capela foi reformada em 1920, tinha ele 56 anos de idade. Em resumo, teve tempo suficiente para bem conhecer a construção.
O ponto no qual quero chegar é a existência de uma gravação em baixo relevo na soleira do templo: “1822”, conforme nos conta o Pe. Frederico Maciel (4). Creio que Zeferino sabia da existência da inscrição citada, então por que afirmou que a construção ocorreu em 1802? Há duas respostas possíveis para esta indagação:
  1. Zeferino conhecia algo mais, tinha mais informações que lhe davam a certeza de que o “1822” gravado na capela dizia respeito a outro fato ocorrido e não à sua construção;
  2. Ocorreu um erro tipográfico quando da impressão da Antologia. Zeferino pode ter tido a intenção de escrever “1822” e a tipografia imprimiu “1802”. Mas vale dizer que na edição há uma errata que não cita o possível erro!
Já Pereira da Costa diz que o patrimônio da capela foi instituído em 1822 (5), sendo esse um forte indicativo de que é esse o ano correto da sua fundação. Se a data correta for 1802, a capela deve ter ficado sem funcionar por 20 anos, já que a Diocese de Olinda não autorizaria seu funcionamento sem patrimônio.
Por último gostaria de lembrar que nem sempre as datas gravadas nos antigos prédios dizem respeito à suas construções, mas também às reformas neles executadas. Podemos observar esse fato em Pesqueira nos seguintes exemplos: Fábrica Rosa (reforma em 1910, gravação na fachada. A construção é de 1906), Talho Municipal (construção em 1924, gravação na fachada), Fazenda Gravatá (reforma em 1905, gravações nos oitões. A construção é de 1818). A própria capela tem hoje uma gravação no piso: “1932”, que evidentemente não corresponde à construção nem a reforma de 1920. Esta nova data deve indicar uma outra reforma ocorrida naquele ano.
Acredito que seria uma boa ideia recolocar a inscrição original de 1822, adicionar “1920” (a reforma de Dom José Lopes) e manter o “1932” atual. Há uma igreja num dos engenhos de Moreno que mantém duas datas: a da construção em 1840 e a da reforma em 1990.
Evidentemente o assunto não está encerrado, ainda temos outras fontes não exploradas adequadamente. Seja como for, estou escrevendo um livro especialmente sobre a fazenda Poço da Pesqueira, no qual terei espaço para explorar esse e outros assuntos com a profundidade devida.
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FONTES:

1 NASCIMENTO, Oliveira do. Pesqueira Histórica – Vol. 1. Ed. Do Autor. Pesqueira, 2102
2 GALVÃO, Zeferino. Antologia. Governo de PE. Pesqueira, 1924. p.91.
3 WILSON, Luis. Anísio Galvão – E outras notas para a história de Pesqueira. Camâra de Vereadores. Pesqueira, 1986. p.24.
4 MACIEL, Frederico Bezerra. Ubassagas. Ed. Universitária da UFPE. Recife, 1982. p.300.
5 COSTA, Pereira da. Anais Pernambucanos – Vol. 10. FUNDARPE. Recife, 1985. p.82.


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Lançado o primeiro volume do Pesqueira Histórica

Foi lançado o livro Pesqueira Histórica  – Volume 1, que reúne as minhas crônicas publicadas aqui no site entre os anos de 2010 e 2011. Elas foram adaptadas e acrescidas de notas de rodapé com informações que ajudam a esclarecer algumas dúvidas que ficaram em suas versões originais, essa é a novidade. 



Embora tenha utilizado regularmente a internet como meio de pesquisa e divulgação da história local, sou um  grande defensor das publicações tradicionais, em papel, pois ainda não vejo forma melhor de preservar o conhecimento para as futuras gerações. Seja como for, o livro ainda é um objeto desejado por muitos, que o preferem à tela do computador.
A orelha foi escrita por Marciana Nascimento, colaboradora do site.
Os interessados em comprar o livro podem fazê-lo pelo site Clube de Autores, clicando no banner abaixo, ou entrar em contato diretamente conosco pelo e-mail contato@pesqueirahistorica.com
Compre aqui o livro 'Pesqueira Histórica - Volume 1'


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Sobre a Reforma do Senado de Cimbres | Por Marciana Nascimento

Senado antes da reforma
Coleção de Jurandir Carmelo

Embora esta história esteja hoje esquecida, tempos atrás (vez ou outra) ouvia-se alguém falar na reconstrução do prédio do Senado de Cimbres. Eis um bom questionamento: o que se quer dizer com isso?
Acredito que a história surgiu a partir da obra feita pelo prefeito Ésio Araújo, fato comprovado pelo álbum do Município de Pesqueira (1948-1951). No entanto a tal “reconstrução” é que não é comprovada.
Encontramos no livro Pesqueira e Antigo Termo de Cimbres, de José de Almeida Maciel (FIAM, 1980), o texto da lei que autorizou a reforma. Vejamos o trecho:
Projeto de Lei nº 26 EMENTA – Abertura de um crédito até Cr$ 10.000,00 para restauração do prédio do antigo Senado de Cimbres.
A Câmara Municipal de Pesqueira resolve:
Artigo 1º – Fica o Prefeito do município autorizado a abrir um crédito especial de até Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros) a fim de providenciar os reparos e demais serviços que se fizerem necessários no prédio onde funcionava, ao tempo do Brasil-colônia, o Senado da Câmara da Vila de Cimbres.
§ UNICO – A Prefeitura não permitirá que o prédio no estilo colonial da época seja descaracterizado em sua feição arquitetônica, inclusive nas primitivas divisórias internas.
Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário.
[…]
S.S. da Câmara Municipal de Pesqueira, em 10 de junho de 1948.
José de Almeida Maciel
Felix Alves Maciel”
A lei é clara e enfatiza a preservação da originalidade do prédio.
Também é conveniente observar na foto da coleção de Jurandir Carmelo (no topo da matéria) que o estado do prédio era ruim, mas acredito que não a ponto de o mesmo ser levado abaixo e ser reconstruído em seguida. A imagem data entre 1945 e 47, antes da reforma portanto. Fato parecido é o que parece ter ocorrido com a matriz de Nossa Senhora das Montanhas da Vila de Cimbres (ver A Velha Igreja de Cimbres e seu adendo), da qual consta reforma/reconstrução em 1843 e em 1852.
No álbum já citado encontramos a informação de que a Prefeitura “pede meios para restauração do Senado da Câmara de Cimbres, relíquia essencialmente histórica, construído ao tempo do Brasil Colônia”. Ainda na mesma publicação constatamos que a obra de “restauração” foi iniciada ainda em 1948 e custou inicialmente Cr$ 11.100,00 e ao final, no ano seguinte, alcançou Cr$ 15.514,00.
E, finalizando as citações do álbum de Ésio Araújo, vejamos a legenda da foto do prédio com a obra já finalizada: “O Senado da Câmara de Cimbres, construído ao tempo do Brasil Colônia, é uma verdadeira relíquia histórica do município de Pesqueira. Encontrava-se num lamentável estado de ruínas. Foi totalmente restaurado”.Observem que a obra é sempre tratada como “restauração” e o valor histórico do prédio é sempre destacado. Não encontra-se registro de demolição, reconstrução, etc; encontramos apenas os termos “reforma”, “reparo” e “restauração”.
Senado após a reforma
Imagem cedida por Eulália Araújo Neves
Em resumo, não podemos comprovar que o prédio foi demolido e reconstruído e tudo que se tem de oficial, documentado, é que o mesmo passou por uma reforma, mantendo inclusive suas características originais. Outra dúvida a respeito é a sua data de construção. Geralmente o que se encontra nas obras dos historiadores de Pesqueira é que o mesmo é da época do Brasil colonial, e nada mais. No entanto, deixemos o assunto para um outro momento.
Por Marciana Nascimento.
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Imagens de Dom Palmeira em 1996

O administrador do site  http://www.tudopb.com/, Braz Araújo, disponibilizou raras imagens em vídeo do saudoso bispo de Pesqueira Dom Manoel Palmeira. Trata-se de uma missa realizada na Catedral de Santa Águeda em 3 de março de 1996. O vídeo segue abaixo:

Na época Dom Palmeira era bispo emérito da Diocese, quando Dom Dino Marchió já era o titular.

Nossos agradecimentos ao site tudopb.com por ter nos dado acesso a tão raro arquivo. Não conhecemos outras imagens em vídeo de Dom Palmeira.

Por Oliveira do Nascimento.

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Pesqueira faz 132 anos de elevação à categoria de cidade

Embora a mudança de status de vila para cidade naquele 20 de abril de 1880 nada tenha mudado em Pesqueira, esta acabou sendo nossa data magna. Não canso de repetir que essa data em nada ajuda a divulgar Pesqueira como cidade histórica, convenhamos que 132 anos é muito pouco para um lugar que assim se diz. Fosse nosso aniversário comemorado em 13 de maio, quando em 1836 Pesqueira herdou oficialmente a sede do município de Cimbres, estaríamos comemorando seus 176 anos. E mais, se considerássemos nossa data magna como sendo a data de criação do município (que se deu em 3 de abril de 1762), estaríamos comemorando incríveis 250 anos!

Antiga Casa de Câmara e Cadeia
Foto: Oliveira do Nascimento

Nunca canso de lembrar que a elevação de Pesqueira a cidade nada tem a ver com emancipação política. Aliás, são coisas completamente diferentes. Emanciparam-se cidades como Arcoverde, Sanharó, Poção, Alagoinha, entre outras. Estas ganharam independência política de Pesqueira, município do qual deixaram de fazer parte. No caso específico de Pesqueira jamais houve emancipação, o que ocorreu foi apenas a mudança da sede do município em 1836, em 1880 mudou-se a categoria da sede do município, que deixou de ser vila para ser cidade, na prática nada sendo alterado. A prova disso é que desde 3 de abril de 1762 temos uma câmara de vereadores (senado que funcionou inicialmente em Cimbres) com seus membros e juiz ordinário. Em 20 de abril de 1880 nada foi mudado nessa estrutura, continuamos com a Câmara, seus vereadores e seu juiz ordinário. A figura do prefeito só apareceria oficialmente em Pernambuco com a Lei Estadual nº 52 de 3 de agosto de 1892, que tornava todos os municípios autônomos, fossem vilas ou cidades.
Oliveira do Nascimento
20 de abril de 2012.
132 anos da elevação de Pesqueira à categoria de cidade.
Veja mais detalhes sobre o assunto em:
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Matéria do Ph reproduzida em outros blogs

Com satisfação anuncio que a matéria Quantos Anos Tem Pesqueira?, publicada em junho de 2011 foi reproduzida nos blogs pesqueirenses Pesqueira em Foco e EncartNotícias e também no blog Instituto Garanhuns, este daquela bela e histórica cidade. O assunto em questão foi a data de aniversário de Pesqueira. A matéria original pode ser lida clicando AQUI e abaixo seguem os links da matéria para leitura nos blogs citados:
No Pesqueira em Foco, clique AQUI e AQUI
No EncartNotícias, clique AQUI
No InstitutoGaranhuns, clique AQUI
Agradeço ao pessoal dos blogs e ao leitor Ernesto Moura. Especial agradecimento a Ronaldo Cesar pela citação e link do Pesqueira Histórica no blog do Instituto Garanhuns. Um dos meus sonhos é que todos os sites de história local sejam interligados por uma rede e que haja interação entre os pesquisadores de cada região. Quiçá um dia criemos uma liga de historiadores regionais!
Oliveira do Nascimento
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Cimbres: 250 Anos

Nos primórdios, a região onde hoje fica a vila de Cimbres e a cidade de Pesqueira era ocupada pela tribo chamada de Ararobá. Depois sua ocupação passou para a tribo Xukuru. Dos Ararobás ficou apenas o nome da serra. Nos arredores viviam os Paratiós, de outra tribo. Estes foram os primeiros donos das terras nas quais vivemos hoje.
Em 1654 João Fernandes Vieira ganhou da Coroa portuguesa um sem mundo de terras, inclusive as ocupadas pelas tribos citadas. Em 1666 mandou seu feitor Manuel Caldeira ocupá-las1. Era o início da entrada da população branca na região. Na mesma época, ainda na segunda metade do século XVII, o padre oratoriano João Duarte do Sacramento fundou a missão de Ararobá junto aos Xukurus e deu o nome de Monte Alegre ao lugar que, progredindo rápido, em 1692 virou sede de freguesia2. No ano anterior, comprovadamente, Monte Alegre era também sede de capitania3 e, em 1762, alcançou o ápice da política administrativa sendo elevada a vila e sede de município, que passou então a ser chamado de Cimbres. Foi um 3 de abril que ficou na história. O ouvidor de Alagoas, dr. Manuel Gouveia Alvares, foi o encarregado de sua instalação. Dias antes foi fixado o edital num mastro convocando todos os moradores para a solenidade. Hoje, graças ao heroísmo de José Florêncio Neto, que o salvou de uma enchente no arquivo da Prefeitura, temos o Livro da Criação da Vila de Cimbres, onde foram registados importantes documentos sobre a vila com datas desde 1755 até 1867, inclusive a ata de instalação. É uma coleção de fontes primárias de pesquisa de valor tão grande que não conseguimos medir. Nela consta inclusive detalhes sobre a construção da casa de câmara, cadeia e ouvidoria, preciosa descrição.
Cimbres durante muitos anos foi o único lugar organizadamente habitado da região, o único centro político do Sertão, terra de autoridades políticas e militares. No entanto a força de um lugarejo três léguas abaixo da serra do Ararobá foi maior. Essa força nasceu da ambição de um homem, um autêntico sertanejo da ribeira do Moxotó: Manuel José de Siqueira. Sua fazenda em 1836 já tinha progredido tanto que acabou arrastando a sede do município de Cimbres serra abaixo. Foi naquele ano que a antiga vila começou a trilhar o caminho rumo ao esquecimento. Da época áurea restou apenas a igreja de Nossa Senhora das Montanhas, que funciona plenamente desde sua construção, mesmo depois da criação da freguesia de Santa Águeda em 1870, esta na então vila de Pesqueira. Como símbolo da política e do poder restou o acanhado prédio do Senado, relíquia da época da colônia, hoje em mau estado, em nada lembrando o auge da sua importância.
Atualmente Cimbres está quieta, num silêncio que apenas as coisas mortas têm. Sua história encontra-se esquecida pela maioria. Para estes o lugar não passa de um ponto no caminho entre Pesqueira e o santuário do sítio Guarda: fato triste e lamentável. Mesmo assim sua arquitetura continua resistindo ao tempo, muitas casinhas dos séculos XVIII e XIX ainda resistem de pé, no entanto passando despercebidas.
Hoje contamos 250 anos desde aquele 3 de abril de 1762. São dois séculos e meio do município de Cimbres, são dois séculos e meio do município de Pesqueira, que é na verdade o de Cimbres que em 1836 mudou de endereço e em 1913 mudou de nome4. Hoje devia haver uma grande comemoração, mas creio que será um dia como outro qualquer. Creio também que a maior parte das pessoas nem saibam desse 3 de abril, pois é data que não consta no calendário do atual município.
Seja como for, Cimbres, eu te reverencio.
Por Oliveira do Nascimento
3 de abril de 2012, aniversário de 250 anos da vila e município de Cimbres.



Fontes:
  1.  BARBALHO, Nelson. Caboclos do Urubá. FIAM/CEHM. Recife: 1977.
  2. A freguesia existente em Monte Alegre (depois Cimbres) não foi criada em 1762 como afirma Alfredo Leite Cavalcanti em sua obra (brilhante por sinal) História de Garanhuns – volume 1.
  3. Esta é outra informação divergente do que conta Alfredo Leite Cavalcanti na obra já citada.
  4. MACIEL, José de Almeida. Pesqueira e o Antigo Termo de Cimbres. FIAM/CEHM. Recife, 1980.


Notas:
  • Sobre a data de criação e localização da sede da Capitania de Ararobá, bem como sobre a criação da freguesia, trataremos em momento oportuno.



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