Os 100 Anos da Chegada de Dr. Lídio Paraíba

Dr. Lídio Paraíba

Dr. Lídio Paraíba nasceu em Uruguaiana-RS em 5 de junho e 1890. Formado em medicina no Rio de Janeiro em 1911, chegou a Pesqueira no ano seguinte. Em resumo, em 2012 completa-se 100 anos de sua chegada à terra que não o viu nascer, mas que ele adotou como sua talvez como nenhum outro cidadão jamais chegaria a fazer.

A Pesqueira de 1912 era uma progressista povoação. Contava já com as fábricas Peixe e Rosa, duas indústrias bastante desenvolvidas, e um comércio famoso em toda a região. Àquela altura a cidade já contava também com a Casa José Araújo (fundada em 1890) e com o Bazar Pesqueirense (depois O Barateiro) do pai de seu Tito Rego, dentre outros estabelecimentos. Embora um centro importante , tanto comercial como industrial (já contava inclusive com uma linha de bondes!), a cidade era ainda um lugar de urbanismo precário, com ruas de terra e sem energia elétrica (que chegaria em 24/12/1913). A saúde pública praticamente não existia, tamanha a ausência de estrutura, não havia hospital ou outro centro de saúde com competência suficiente. Foi esse o cenário que Dr. Lídio encontrou ao descer de um dos vagões da Great Western, atendendo o convite feito pelo farmacêutico Xavier de Andrada.
Dr. Lídio atendeu seus primeiro pacientes na Farmácia Santos, de Manoel Cristóvão dos Santos, depois se instalou no então Largo da Matriz (hoje Praça Dom José Lopes) e por último na antiga rua 15 de Novembro (hoje rua Dr. Lídio Paraíba, em sua homenagem), onde por fim fixou seu consultório.
Para dr. Lídio gente era gente e ponto final: rico, pobre, preto, branco, jovem, velho, cristão ou ateu. Conta-se que ele nunca se negou a atender qualquer um que fosse, inclusive sem se importar com pagamento. Ele não parava de passar pelas ruas empoeiradas de Pesqueira no seu automóvel guiado pelo motorista Pedro Miro, sempre a caminho de atender algum pesqueirense enfermo, em qualquer bairro, da Pitanga ao Prado, a qualquer horário do dia ou da noite.
Ele foi o médico de Pesqueira durante meio século, dedicou quase toda sua vida a ela e a seus cidadãos. Foram incontáveis os pesqueirenses que passaram por suas competentes mãos. Foi em Pesqueira também que ele realizou um grande feito, um sonho imenso que se tornou realidade: a construção do hospital que hoje leva seu nome, do qual foi diretor por 20 anos.
Essa pequena nota, insignificante em tamanho, mas realmente sincera, dedico a um homem que dedicou uma vida inteira a um lugar, que o amou despretensiosamente como se fosse dele. Naquele 17 de fevereiro de 1963 Pesqueira teve com certeza um pedaço seu enterrado.
Homenagem maior lhe fez a historiadora Eulina Monteiro Maciel, de Jaboatão dos Guararapes, com o livro “Tributo ao Médico Dr. Lídio Parahyba – Uma voz na Assembleia Legislativa”, obra que brevemente terá lançamento em Pesqueira. Uma jaboatanense fez então o que nenhum pesqueirense foi capaz de fazer. No entanto, o que importa de fato é que Dr. Lídio não foi esquecido.
Pesqueira, 31/12/2012.
Em memória de Dr. Lídio Paraíba.
 
Marcelo Oliveira do Nascimento.
Fontes:
WILSON, Luís. Ararobá Lendária e Eterna. CEPE/Pref. De Pesqueira. Recife: 1980.
SANTOS, Luiz Cristóvão dos. Doutor Lídio – O médico do Sertão. Matéria escrita para o Diário de Pernambuco por Luiz Cristóvão dos Santos. Data não identificada.
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A Senzala de Pesqueira

A mão-de-obra escrava era presença certa nas fazendas do século XVIII e XIX (antes da Abolição de 13 de maio de 1888) e com Pesqueira não ocorreu diferente. Até alguns homens de caridade, como era o caso do Barão de Cimbres, dispunham de alguns escravos nem que fosse para atividades domésticas, para manutenção da propriedade, companhia, etc.

A senzala do Barão ficava junto à residência na fazenda Gravatá (hoje pertencente à família Didier). Não conheço outra fazenda que a senzala fique assim localizada em relação à casa grande. É sabido que ele nunca maltratou qualquer um dos escravos e que também costumava assistir aos seus festejos da varanda da casa i. Alguns dos seus serviçais foram citados em seu testamento, e deles, apenas Caêta, a governanta, não era escrava (1). Esse tratamento diferenciado era exceção, seja qual fosse o lugar.

A senzala de Pesqueira deve ter sido construída por volta de 1800, pois em 1801 Manuel José de Siqueira, fundador da primitiva fazenda, já estava estabelecido, casado e já com um filho nascido*. Da construção não encontramos hoje nenhum vestígio, no entanto até algumas décadas atrás ainda havia uma fração dela. O lugar em certa época foi usada como depósito de lixo pela prefeitura (2). Essa fração restante pode ser vista em velhas fotografias do centro de Pesqueira datadas dos anos 20. Em outra, datada de 1911, ela aparece ainda inteira, no entanto pelos fundos. Ela ficava na “rua de baixo”, bem em frente à Casa da Câmara e Cadeia, lugar estratégico para que o proprietário pudesse vigiar o comportamento dos escravos (2), isso se considerarmos que a Casa da Câmara era mesmo originalmente a casa grande da fazenda, tese da qual sou defensor, como já mostrei em outras matérias.
A senzala, por completo, ficava onde hoje estão os números 100 e 112 da rua Cardeal Arcoverde e seguia o padrão encontrado em várias propriedades espalhadas pelo País: uma tira de pequenas casas com algumas portas e janelas de frente coberta por duas águas, construção geralmente bastante ordinária, incompatível com o restante da fazenda. Esse padrão pode ser visto inclusive na fazenda Gravatá, no entanto creio que o material usado neste caso era de qualidade acima da média, pois a senzala continua de pé até hoje, assim como a casa grande do Barão.
Em Pesqueira havia ainda uma senzala de padreação e o casebre de Congo, o reprodutor da fazenda (3). Estas informações são do Pe. Frederico Maciel, que fez uma tentativa (não sei ao certo se bem sucedida ou não) de reconstituir a Pesqueira de mil oitocentos e pouco.
Marcelo Oliveira do Nascimento.
Fontes:
  1. WILSON, Luis. Ararobá, Lendária e Eterna. PMP/CEPE. Pesqueira: 1980.
  2. VALENÇA, Eduardo. Comentário sobre a Casa Grande. Disponível em http://pesqueirahistorica.blogspot.com/2011/12/comentario-sobre-casa-grande.html
  3. MACIEL, Frederico Bezerra. Editora Universitária da UFPE. Recife: 1982.
iNASCIMENTO, Marciana. A Casa Grande da Fazenda Gravatá. Disponível em http://www.pesqueirahistorica.com/2012/07/a-casa-grande-da-fazenda-gravata-por.html
*O primeiro filho de Manuel José de Siqueira nasceu em Pesqueira em 1801. Evidentemente naquele ano ele já estava casado.

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Associação dos Reservistas de Pesqueira promove exposição fotográfica

No último fim de semana, dias 26 e 27 de outubro, na XXIII Festa dos Ex-alunos, o pessoal da Associação dos Reservistas de Pesqueira montou uma exposição com fotos antigas da cidade. Fomos convidados oficialmente a participar com a divulgação do site e do primeiro volume do Pesqueira Histórica (do qual os últimos exemplares disponíveis foram esgotados).
A exposição foi inquestionavelmente um sucesso. Ficou claro não só pelo grande número de visitantes mas também pela expressão estampada no rosto de cada um ao por os olhos nas antigas imagens. Pela idade das fotografias, a maioria das pessoas mirava um passado não vivido, mas bastante revelador, onde figurava uma Pesqueira desconhecida, bastante diferente da atual. Para estes era um olhar de descoberta. Para outros, os mais vividos, era um olhar de reencontro com uma Pesqueira da infância ou da juventude, que foi de certa forma deformada pelo tempo.
O evento foi a prova de que o passado consegue encantar qualquer pessoa independente da idade. O que faltava era dar esse encanto aos pesqueirenses, o que o pessoal da ARP fez de forma brilhante. As fotos foram bem escolhidas, abordando diversos temas e épocas; e bem apresentadas, com legendas explicando o motivo retratado e a data. Todo o trabalho foi feito com o esforço particular dos membros da Associação, que se encarregaram de buscar as fotos em arquivos pessoais, identificá-las, copiá-las e prepará-las para ficarem apresentáveis. Quem esteve lá pôde comprovar que o resultado ficou excelente.
O Pesqueira Histórica fica muito grato pela oportunidade de participar deste momento e parabeniza a equipe da Associação dos Reservistas de Pesqueira pela coragem e pela dedicação à sua missão. Parabéns especialmente, nesta ocasião, pelo evento promovido. Se a cidade pudesse falar com certeza estaria agora agradecendo emocionada pela bela demonstração de amor.
Marcelo Oliveira do Nascimento.

Alguns momentos do evento (clique nas imagens para ampliar):


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Ipanema e a Antiga Fazenda Barra

A história de Ipanema começa em 1671. Em dezembro daquele ano o sítio Barra integra a sesmaria doada a Bernardo Vieira de Melo (o velho), Antônio Pereira Pinto e Manuel Vieira de Lemos. Era uma grande porção de terra que ia da Mata ao Sertão, atingindo o centro e o Sul do Agrestei. O centro da sesmaria era a serra do Opi, onde hoje fica a atual cidade de Jupi: “junto ao riacho Lima, correndo para o Sul até a serra do Bocú e da terra do mesmo riacho Lima correndo pelo rio de Ipojuca a Lima de uma banda e de outra até a serra de Tacoaty.”
Antônio Pereira desistiu das terras e as doou a Vieira de Melo, assim como Vieira de Lemos, que também as cedeu, exceto o sítio à beira do Ipanema, onde resolveu se fixar. Isso torna a antiga fazenda Barra a primeira propriedade rural da região de Pesqueira, excetuando-se os currais de João Fernandes Vieira. Podemos dizer então que em dezembro passado a velha fazenda Barra completou 340 anos! Na mesma época era instalada a missão de Ararobá pelo Pe. João Duarte do Sacramento exatamente no lugar que mais tarde viria a ser a vila de Cimbres.
O sítio Barra ganhou esse nome por nele ficar localizada a barra dos rios Ipaneminha e Frecheira, formando o rio Ipanemaii, que depois “rebatizaria” a própria localidade.
Em fins do século XVIII entra na história do sítio Barra o famoso capitão André Cavalcanti, que também assinava André Arcoverde, bisavô no notável Cardeal. Naquela época ele adquiriu o sítio a José Vieira de Lemos, onde veio então a residir. Não consigo precisar a data, mas creio que foi por volta de 1796 ou 1797, conforme informações de José de Almeida Macieliii. Com certeza, em 1809, há anos ele já vivia lá, pois foi na sua fazenda que faleceu sua esposa, dona Úrsula Jerônimaiv
Foi em 1909, com a passagem dos trilhos da antiga Great Western, que o sítio Barra teve seu nome mudado para “Ipanema”v, o mesmo nome da estação ferroviária construída.
Não encontro, até o momento, nenhuma informação precisa sobre a localização da antiga casa grande da fazenda. Em conversa com alguns moradores de lá, percebi controvérsias. Sobre a capela, os moradores mais velhos afirmam que a existente é a original. A informação tem sentido, pois Zeferino Galvão (em obra já citada), afirma que em 1920 Ipanema tinha 2 casas, 20 moradores e a capela de São Joaquim. Ora, que sentido há na construção de uma capela pública por parte da Igreja numa comunidade na época tão pequena? De fato ela devia vir da fazenda, tendo sido então uma capela particular.
Sobre o seu orago, Zeferino Galvão afirma que era São Joaquim (em 1920), mas o atual, como é notório, é N. Sª da Conceição. Em conversa com Pe. Eduardo Valença fiquei sabendo que houve reforma na capela em alguma época e que não há quaisquer informações sobre a existência da imagem de São Joaquim, fato comprovado pela fotografia do altar feita por Roseane Brito.
O povoado de Ipanema fica num lugar muito agradável, favorecido pela natureza ao redor. O povo é simpático e hospitaleiro. O lugar tem muita história, teve uma importância política muito grande no século XIX, lá ainda existem algumas casas antigas bem conservadas. Falta divulgação e cuidado, falta reconstruir a velha estação ferroviária, reativar a linha entre Sanharó e Mimoso para um passeio histórico passando por lá. Para alguns uma grande besteira, para outros um sonho enorme.
Por Marcelo Oliveira do Nascimento.

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Agradecimentos a Roseane de Carvalho Brito pela fotografia do altar da capela.
FONTES:
iBARBALHO, Nelson. Caboclos do Urubá. FIAM/CEHM. Recife, 1977. Pg. 40.
iiGALVÃO, Zeferino. Antologia. Governo de PE. Recife, 1924. Pg. 99.
iiiMACIEL, José de Almeira. FIAM/CEHM. Recife, 1980. Pg. 137.
ivFonte citada no item anterior.
vZeferino Galvão, fonte já citada.

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Nossa Senhora das Montanhas

Imagem cedida por Pe. Eduardo Valença

Dentre vários assuntos polêmicos a respeito da nossa história está a construção da igreja de Nossa Senhora das Montanhas em Cimbres. Não vou nem entrar na questão da reforma/reconstrução de 18431, não no momento. O que quero falar agora é sobre o início de tudo, da construção original.
Conforme eu mesmo já registrei2, alguns historiadores afirmam que a igreja foi construída originalmente por Lourenço das Neves Caldeira e sua esposa, que apoiaram os padres da congregação de São Felipe Neri nesta obra. No entanto nenhum deles dá data exata da construção.
Altar da Matriz de Cimbres
Sabemos que em 1680 já havia em Monte Alegre (a futura Cimbres) culto a Nossa Senhora das Montanhas, conforme o comentário de José Antônio Gonsalves de Mello no volume 6 dos Anais Pernambucanos de Pereira da Costa, falando sobre as terras de João Fernandes Vieira:
“Que essas “novas terras” deviam abranger a região do Ararobá pode concluir-se pelas extensas propriedades que ele ali possuía já no ano de 1680, onde tinha como seu representante o Capitão Manuel Caldeira Peixoto, conforme documento datado da Aldeia de Nossa Senhora das Montanhas 28 de dezembro de 1680: Tombo dos bens da Congregação do Oratório do Recife fls. 187v-188.”
Temos também um registro do 2o. Cartório de Garanhuns (Livro 11, fls. 80):
“Saibam quantos este público instrumento de carta de alforria virem como no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil setecentos e vinte e sete anos nesta Capitania do Ararobá no sítio da igreja de Nossa Senhora das Montanhas missão da dita capitania onde eu tabelião fui vindo aí perante mim tabelião…”
A primeira missão fundada pelo Pe. João Duarte do Sacramento em Pernambuco foi a de Limoeiro em 1662, onde com o a poio do governador Brito Freire, que era seu amigo pessoal, construiu a primeira igreja do Agreste3. A igreja da missão de Ararobá foi então construída posteriormente.
Agora a excelente informação do próprio Francisco de Brito Freire, que era também, além de governador, escritor:
“E para habitarem (os indígenas) na vizinha dos nossos, lhes fizemos duas povoações novas, e Igrejas em ambas, com seu modo de governo, nomes e varas de Ouvidores, e de Juízes, entre si mesmos. Porque cometendo algum culpa digna de demonstração para escramentarem os mais, recebam uns, dos outros, o castigo, e só da nossa mão os favores. Batizados, e assistidos do Venerável Padre João Duarte do Sacramento, que pelo imenso fruto de copiosas almas, é assim aclamado do aplauso universal, como Apóstolo do Brasil.”
Esse trecho de História da Guerra Brasílica (de 1675) é uma transcrição feita por Nelson Barbalho (O.b. Cit. p.77-78). As duas povoações citadas são as missões do Limoeiro (hoje a cidade de mesmo nome) e de Ararobá (hoje Cimbres). Brito Freire deixou claro que a construção da igreja de N. S. das Montanhas se deu em sua época. Ora, sabendo que ele foi governador de Pernambuco entre 1662 e 16644, então é muito provável que a igreja primitiva tenha sido construída nessa época! Isso seria a comprovação de um erro em relação ao ano da fundação da missão de Ararobá, que muitos acham (inclusive eu) ter sido em 1669. Em 1665 Brito Freire já não estava mais no Brasil, e sim em Portugal! Essa informação pode render muito ainda, mas ficará para um momento mais oportuno.
Agora sobre a invocação a N. S. das Montanhas.
Primeiramente preciso reconhecer que jamais tinha ouvido falar sobre qualquer lenda referente à invocação da matriz de Cimbres, mas é Pereira da Costa5quem nos conta como segue:
“A construção do templo, e da sua invocação, se prende uma lenda regional, do encontro de uma linda imagem da Virgem, por uma índia, e que levando-a para sua casa, desaparecera, sendo depois encontrada no mesmo local; e que repetido o fato, foi resolvida a construção de uma capela no próprio sítio, o que foi feito, e colocada a imagem no seu altar, assim ficou e se conserva até hoje, vindo daí a sua invocação de N. S. das Montanhas.”
Não sabemos se a imagem do orago da matriz de Cimbres é ainda a original, mas é bastante diferente das de Santa Águeda e N. S. Mães dos Homens, de Pesqueira. Estas são grandes e imponentes, ambas do século XIX. A de Cimbres é simples, delicada e tão pequenina que quase desparece no topo do altar, mas, maior é que qualquer outra quando o assunto é história e tradição.
Marcelo O. N.
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FONTES:
1 COSTA, Francisco Augusto Pereira da. Anais Pernambucanos – Volume 6: . 2.ed. Recife: Fundarpe, 1984. p. 239.
2Pesqueira Histórica – Volume 1. Clube de Autores, 2012.
3BARBALHO, Nelson. Cronologia Pernambucana – Volume 5. FIAM/CEHM. Recife: 1982, p. 77.
4ANTUNES, Cristina. http://www.brasiliana.usp.br/node/354 , acesso em 25/08/2012.
5Ob. cit. p. 239.

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A Casa Grande da Fazenda Gravatá | Por Marciana Nascimento

A fazenda Gravatá fica localizada a aproximadamente 4 quilômetros do centro da cidade de Pesqueira e foi fundada em 1818 pelo sargento-mor Antônio Cavalcanti de Albuquerque Melo em terras encravadas na propriedade da fazenda Poço Pesqueiro, pertencente a seu tio Manuel José de Siqueira, capitão-mor fundador da cidade. A casa grande (Figura 1), cuja fachada dizem possuir 75 metros de extensão, conta com vários cômodos (todos amplos), incluindo três salas, oito quartos, copa e cozinha e uma capela interna. Na propriedade havia ainda uma cisterna imensa, um engenho de rapadura, uma bolandeira utilizada para descaroçar algodão e um açude (1).


Figura 1
Foto: Nascimento, 2011

Alguns anos depois a propriedade da fazenda passou para o comendador Antônio de Siqueira Cavalcanti, que era da mesma família, até que em 1874 a mesma foi vendida ao major Cândido Xavier Pereira de Brito, o caridoso Barão de Cimbres. Seu Candinho, como era conhecido, era um homem de atitudes honestas e religioso. Dizem que nunca maltratou, ou deixou maltratar, qualquer dos seus escravos. O que pode ser considerada uma prova da sua convivência tranqüila com os escravos é o fato de ter mandado construir uma nova senzala ao lado da casa grande, para que os escravos ficassem perto da residência. Diz-se que o Barão, assistia com satisfação os festejos no pátio da casa, organizados todos os anos pelos escravos que celebravam a devoção a Nossa Senhora, rezando a novena e fazendo grande festa no último dia do mês de maio. Esta celebração era compartilhada inclusive por muitos vizinhos moradores das redondezas atraídos pelos festejos (1).


A casa encontra-se atualmente bem conservada, inclusive a senzala ao lado, que contém poucas avarias (Figura 2). Diz-se que até as portas e janelas são ainda as originais.


Figura 2
Foto: Nascimento, 2011

Depois da morte do barão, em 1894, a fazenda passou, por herança a seu sobrinho José de Sá Pereira, que era conhecido por Juca. Logo em seguida a propriedade foi vendida ao cel. Antônio Cordeiro da Fonseca e, após sua morte, nos anos 20 do século passado, passou por compra para a propriedade de Praxedes Didier, estando em posse da família até os dias de hoje.


Por que deve ser restaurada e tombada
A Casa da Fazenda se encontra em bom estado de conservação, porém há sinais superficiais de deterioração em alguns pontos da edificação. É necessário se considerar a restauração e o tombamento da Casa Grande da Fazenda Gravatá porque seu  valor histórico é incontestável, sendo uma das últimas construções da região, se não a última, que preserva ainda esta estrutura típica de fazendas do século XIX, mantendo inclusive ainda a existência da senzala.


Teoria da Restauração de Camillo Boito
Para restaurar o referido patrimônio, poderia ser aplicada a teoria da restauração de Camillo Boito, que consistia em preservar prioritariamente o valor histórico do edifício. Para o teórico, o restauro era considerado uma opção a ser evitada, pois ele defendia que a preservação da edificação deveria ser mantida ao longo do tempo, evitando assim que esta viesse às ruínas. A restauração era vista por ele como um ato de intervenção que somente seria usado quando extremamente necessário, após os procedimentos que garantissem a manutenção do monumento histórico. No caso de ser necessária, Boito defendia que deveriam ser preservadas e evidenciadas as características da obra original, de modo que ficasse em evidência a intervenção, para que se distinguisse claramente a obra antiga e o restauro, já que o teórico priorizava o valor documental das construções.


Marciana Nascimento.


Referências Bibliográficas:
(1)   WILSON,Luís. Ararobá,Lendária eEterna. Pesqueira:Prefeitura Municipal.1980.

Matéria adaptada do trabalho acadêmico “Bens Patrimoniais da cidade de Pesqueira” do componente curricular Preservação do Patrimônio Cultural (PPC) ministrada pela Professora Formadora Viviane Castro e pela Tutora Martha Queiroz do curso superior de Tecnologia em Gestão Ambiental- IFPE ( fevereiro/2012).


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Sobre a Data da Capela de N. Sra. Mãe dos Homens

Nas pesquisas sobre a data da construção da capela de Nossa Senhora Mãe dos Homens, encontramos duas informações conflitantes: 1802 e 1822. Eu, particularmente, sempre achei que o correto fosse a data mais antiga, conforme já registrei aqui mesmo no site (ler aqui) e no meu primeiro livro (1), no entanto, depois da releitura de algumas fontes e o encontro com novos registros me deixaram numa grande dúvida.
A fonte principal que me levava a ter como certo o ano de 1802 é o registro de Zeferino Galvão na sua monografia Pesqueira em 1920 (2), pois ele, além do grande conhecimento que tinha (sobre diversas áreas, e não só sobre Pesqueira), deve ter conhecido bem a primitiva capela. Esse é o registro mais antigo que encontro tratando da data da construção. O Livro do Tombo da Paróquia de Santa Águeda, que funcionou até 1888 na capela, registra o fato do seu funcionamento provisório, mas não fala nada sobre a época da construção:
Até o ano de 1889, nesta cidade de Pesqueira, ainda não havia uma igreja nas condições de ser matriz da freguesia, apenas tínhamos uma capelinha de antigos fazendeiros da localidade que, por suas acanhadas proporções, não acomodava mais de duzentas pessoas.
É importante lembrar ainda que Zeferino Galvão nasceu em 1864 e chegou a Pesqueira ainda na infância, por volta de 1868/69 (3) . Logo, quando a capela foi reformada em 1920, tinha ele 56 anos de idade. Em resumo, teve tempo suficiente para bem conhecer a construção.
O ponto no qual quero chegar é a existência de uma gravação em baixo relevo na soleira do templo: “1822”, conforme nos conta o Pe. Frederico Maciel (4). Creio que Zeferino sabia da existência da inscrição citada, então por que afirmou que a construção ocorreu em 1802? Há duas respostas possíveis para esta indagação:
  1. Zeferino conhecia algo mais, tinha mais informações que lhe davam a certeza de que o “1822” gravado na capela dizia respeito a outro fato ocorrido e não à sua construção;
  2. Ocorreu um erro tipográfico quando da impressão da Antologia. Zeferino pode ter tido a intenção de escrever “1822” e a tipografia imprimiu “1802”. Mas vale dizer que na edição há uma errata que não cita o possível erro!
Já Pereira da Costa diz que o patrimônio da capela foi instituído em 1822 (5), sendo esse um forte indicativo de que é esse o ano correto da sua fundação. Se a data correta for 1802, a capela deve ter ficado sem funcionar por 20 anos, já que a Diocese de Olinda não autorizaria seu funcionamento sem patrimônio.
Por último gostaria de lembrar que nem sempre as datas gravadas nos antigos prédios dizem respeito à suas construções, mas também às reformas neles executadas. Podemos observar esse fato em Pesqueira nos seguintes exemplos: Fábrica Rosa (reforma em 1910, gravação na fachada. A construção é de 1906), Talho Municipal (construção em 1924, gravação na fachada), Fazenda Gravatá (reforma em 1905, gravações nos oitões. A construção é de 1818). A própria capela tem hoje uma gravação no piso: “1932”, que evidentemente não corresponde à construção nem a reforma de 1920. Esta nova data deve indicar uma outra reforma ocorrida naquele ano.
Acredito que seria uma boa ideia recolocar a inscrição original de 1822, adicionar “1920” (a reforma de Dom José Lopes) e manter o “1932” atual. Há uma igreja num dos engenhos de Moreno que mantém duas datas: a da construção em 1840 e a da reforma em 1990.
Evidentemente o assunto não está encerrado, ainda temos outras fontes não exploradas adequadamente. Seja como for, estou escrevendo um livro especialmente sobre a fazenda Poço da Pesqueira, no qual terei espaço para explorar esse e outros assuntos com a profundidade devida.
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FONTES:

1 NASCIMENTO, Oliveira do. Pesqueira Histórica – Vol. 1. Ed. Do Autor. Pesqueira, 2102
2 GALVÃO, Zeferino. Antologia. Governo de PE. Pesqueira, 1924. p.91.
3 WILSON, Luis. Anísio Galvão – E outras notas para a história de Pesqueira. Camâra de Vereadores. Pesqueira, 1986. p.24.
4 MACIEL, Frederico Bezerra. Ubassagas. Ed. Universitária da UFPE. Recife, 1982. p.300.
5 COSTA, Pereira da. Anais Pernambucanos – Vol. 10. FUNDARPE. Recife, 1985. p.82.


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Lançado o primeiro volume do Pesqueira Histórica

Foi lançado o livro Pesqueira Histórica  – Volume 1, que reúne as minhas crônicas publicadas aqui no site entre os anos de 2010 e 2011. Elas foram adaptadas e acrescidas de notas de rodapé com informações que ajudam a esclarecer algumas dúvidas que ficaram em suas versões originais, essa é a novidade. 



Embora tenha utilizado regularmente a internet como meio de pesquisa e divulgação da história local, sou um  grande defensor das publicações tradicionais, em papel, pois ainda não vejo forma melhor de preservar o conhecimento para as futuras gerações. Seja como for, o livro ainda é um objeto desejado por muitos, que o preferem à tela do computador.
A orelha foi escrita por Marciana Nascimento, colaboradora do site.
Os interessados em comprar o livro podem fazê-lo pelo site Clube de Autores, clicando no banner abaixo, ou entrar em contato diretamente conosco pelo e-mail contato@pesqueirahistorica.com
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Sobre a Reforma do Senado de Cimbres | Por Marciana Nascimento

Senado antes da reforma
Coleção de Jurandir Carmelo

Embora esta história esteja hoje esquecida, tempos atrás (vez ou outra) ouvia-se alguém falar na reconstrução do prédio do Senado de Cimbres. Eis um bom questionamento: o que se quer dizer com isso?
Acredito que a história surgiu a partir da obra feita pelo prefeito Ésio Araújo, fato comprovado pelo álbum do Município de Pesqueira (1948-1951). No entanto a tal “reconstrução” é que não é comprovada.
Encontramos no livro Pesqueira e Antigo Termo de Cimbres, de José de Almeida Maciel (FIAM, 1980), o texto da lei que autorizou a reforma. Vejamos o trecho:
Projeto de Lei nº 26 EMENTA – Abertura de um crédito até Cr$ 10.000,00 para restauração do prédio do antigo Senado de Cimbres.
A Câmara Municipal de Pesqueira resolve:
Artigo 1º – Fica o Prefeito do município autorizado a abrir um crédito especial de até Cr$ 10.000,00 (dez mil cruzeiros) a fim de providenciar os reparos e demais serviços que se fizerem necessários no prédio onde funcionava, ao tempo do Brasil-colônia, o Senado da Câmara da Vila de Cimbres.
§ UNICO – A Prefeitura não permitirá que o prédio no estilo colonial da época seja descaracterizado em sua feição arquitetônica, inclusive nas primitivas divisórias internas.
Artigo 2º – Revogam-se as disposições em contrário.
[…]
S.S. da Câmara Municipal de Pesqueira, em 10 de junho de 1948.
José de Almeida Maciel
Felix Alves Maciel”
A lei é clara e enfatiza a preservação da originalidade do prédio.
Também é conveniente observar na foto da coleção de Jurandir Carmelo (no topo da matéria) que o estado do prédio era ruim, mas acredito que não a ponto de o mesmo ser levado abaixo e ser reconstruído em seguida. A imagem data entre 1945 e 47, antes da reforma portanto. Fato parecido é o que parece ter ocorrido com a matriz de Nossa Senhora das Montanhas da Vila de Cimbres (ver A Velha Igreja de Cimbres e seu adendo), da qual consta reforma/reconstrução em 1843 e em 1852.
No álbum já citado encontramos a informação de que a Prefeitura “pede meios para restauração do Senado da Câmara de Cimbres, relíquia essencialmente histórica, construído ao tempo do Brasil Colônia”. Ainda na mesma publicação constatamos que a obra de “restauração” foi iniciada ainda em 1948 e custou inicialmente Cr$ 11.100,00 e ao final, no ano seguinte, alcançou Cr$ 15.514,00.
E, finalizando as citações do álbum de Ésio Araújo, vejamos a legenda da foto do prédio com a obra já finalizada: “O Senado da Câmara de Cimbres, construído ao tempo do Brasil Colônia, é uma verdadeira relíquia histórica do município de Pesqueira. Encontrava-se num lamentável estado de ruínas. Foi totalmente restaurado”.Observem que a obra é sempre tratada como “restauração” e o valor histórico do prédio é sempre destacado. Não encontra-se registro de demolição, reconstrução, etc; encontramos apenas os termos “reforma”, “reparo” e “restauração”.
Senado após a reforma
Imagem cedida por Eulália Araújo Neves
Em resumo, não podemos comprovar que o prédio foi demolido e reconstruído e tudo que se tem de oficial, documentado, é que o mesmo passou por uma reforma, mantendo inclusive suas características originais. Outra dúvida a respeito é a sua data de construção. Geralmente o que se encontra nas obras dos historiadores de Pesqueira é que o mesmo é da época do Brasil colonial, e nada mais. No entanto, deixemos o assunto para um outro momento.
Por Marciana Nascimento.
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Imagens de Dom Palmeira em 1996

O administrador do site  http://www.tudopb.com/, Braz Araújo, disponibilizou raras imagens em vídeo do saudoso bispo de Pesqueira Dom Manoel Palmeira. Trata-se de uma missa realizada na Catedral de Santa Águeda em 3 de março de 1996. O vídeo segue abaixo:

Na época Dom Palmeira era bispo emérito da Diocese, quando Dom Dino Marchió já era o titular.

Nossos agradecimentos ao site tudopb.com por ter nos dado acesso a tão raro arquivo. Não conhecemos outras imagens em vídeo de Dom Palmeira.

Por Oliveira do Nascimento.

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