Busto de José Araújo volta ao lugar de origem

Marcelo do Nascimento

Nesta semana de Natal, o busto de José Araújo voltou para o seu lugar de origem. 

José Araújo foi o fundador da loja de mesmo nome em Pesqueira no ano de 1890. Com a reforma empreendida pela prefeitura na rua Duque de Caxias, onde o monumento ficava, o mesmo foi removido para a pracinha atrás do mercado publico, que leva o seu nome. Tal mudança gerou muita polêmica entre parte da população, gerando inclusive manifestação pública da família Araújo em Recife.

Com a devolução do busto ao seu lugar, cremos que venceu a tradição e a história. O monumento, fixado em frente à casa onde viveu o emblemático Zé Araújo, já havia criado um elo com a paisagem e com o dia-a-dia pesqueirense. Parabéns à prefeitura e aos envolvidos com essa acertada obra.





Pesqueira de 1800 – A fazenda, o fundador e sua gente.


Marcelo O. do Nascimento


Depois de cinco anos organizando fontes e fazendo anotações, chega ao fim o trabalho que resultou no livro Pesqueira de 1800 – A fazenda, o fundador e sua gente. Essa é uma obra diferente das anteriores, é a primeira na qual falo da história de Pesqueira de uma forma linear, começando com a povoação de parte do sertão, incluindo a área da fazenda Jeritacó, de Pantaleão de Siqueira Barbosa, passando pelo surgimento da fazenda Pesqueira, de Manuel José de Siqueira (filho de Pantaleão), até chegar a sua elevação a vila e sede do município de Cimbres.

Até agora foi o trabalho mais difícil de ser feito, devido principalmente à falta de fontes primárias. No entanto, bons ventos vindos dos Estados Unidos salvaram a pesquisa, impressionantemente. Os ventos vindos daquele país chegaram na forma do acervo digital da Universidade da Flórida, de onde consegui extrair muitas informações até agora desconhecidas sobre Pesqueira e sua rival, a fazenda Poço dos Patos. São capítulos que renderiam facilmente uma novela, nos quais se vê guerras políticas, tragédias familiares, torturas e assassinatos. Aqui se revela um passado pesqueirense violento e sem esperança, mas que, como de praxe, nos dá grandes lições.

Pesqueira completa 180 anos

Marcelo O. do Nascimento


Neste 13 de maio de 2016 Pesqueira faz 180 anos. Embora o município tenha 254 anos, tendo sido instalado em 3 de abril de 1762, foi em 13 de maio de 1836 que ele foi transferido para a então povoação.

O 13 de maio é uma data esquecida, assim como é o 3 de abril. Em Pesqueira comemora-se apenas o 20 de abril, referente à elevação da sede municipal à categoria de cidade em 1880, na nossa opinião, historicamente falando, o marco menos importante entre estes três.

Ainda sonhamos que um dia as duas datas mais antigas possam fazer parte do calendário cívico municipal, o que ajudaria a divulgar Pesqueira como uma cidade verdadeiramente histórica. Afinal, ela não nasceu em 1880 como unidade política, mas em 1836 pela Lei Provincial n. 20, de 13 de maio daquele ano, herdando o município cimbrense criado em 1762.



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Os 90 anos do Grupo Escolar Rui Barbosa



Marcelo O. do Nascimento


O grupo escolar nasceu como Virgínia Loreto em 21 de junho de 1925, no prédio que ainda hoje existe na rua Anísio Galvão, onde depois funcionou a Prefeitura Municipal e o Colégio Comercial. O brasão do Estado, que ainda enfeita sua fachada é a marca de quem o construiu: o governo de Pernambuco, com orçamento aprovado em 1924. Seu nome foi uma homenagem à primeira-dama da época, esposa do governador Sérgio Loreto, o governante que tanto fez por Pesqueira na década de 1920. Todavia, poucos anos depois, em novembro de 1930, o grupo seria rebatizado com o nome do grande intelectual baiano Rui Barbosa, possivelmente por questões políticas. O fato é que o novo nome consagraria a instituição e a deixaria marcada em definitivo na história pesqueirense. Essa marca ficou impressa de forma tão contundente que ainda hoje é o seu nome mais popular entre a população com mais de 40 anos de idade.

Capa do livro
Em 1945 veio a primeira grande mudança, o grupo escolar instala-se num novo prédio, bem maior do que o original e localizado ao lado do Colégio Santa Doroteia. Era a resposta para o crescimento de uma instituição que não cabia mais dentro das pequenas paredes às quais fora destinado inicialmente. Àquela altura sua diretora era dona Stela Falcão, uma das lendárias educadoras a ocupar o cargo. Era a terceira nesta linha de tradição de mulheres fortes e pioneiras, depois de dona Celina Ventura e dona Margarida Falcão.

Em 1957, já consagrada como professora, assume a direção do grupo dona Nair Falcão de Carvalho, que em sua autobiografia diz-se voar como o pássaro e, ao mesmo tempo, ter raízes fortes como as da árvore de seu sobrenome. Certamente ela é a diretora mais lembrada pelos alunos e pela população pesqueirense em geral e, sem dúvida, é um ícone absoluto da educação local. Foi sob sua regência que o grupo escolar tornou-se escola de primeiro grau em 1974, um grande avanço para quem já era referência no ensino primário.

Em 1980, já sob a direção do padre Fausto Ferraz, o Rui Barbosa torna-se o Centro de Educação Rural José de Almeida Maciel, num projeto do governo do Estado para o ensino na zona rural, o que tornou-se em pouco tempo um modelo fracassado. Tratar as cidades do interior, que, embora tivessem certa afinidade com as coisas do campo, como se na zona rural fossem encravadas, foi um erro tão grande que não durou nem 20 anos, tendo sido, na prática, um projeto muitos anos antes abandonado. A prova foram os poucos anos nos quais a série de “cartilhas rurais” Terra da Gente foi adotada.

Durante a fase do CERU foram diretores, além do padre Fausto, dona Lourdes Lins, dona Lucilda Aguiar, Ricardo Jatobá, Zenilda Siqueira e Fernando Araújo, encerrando aquele período em 1997, quando a escola passou a ser apenas Escola José de Almeida Maciel. Em 2009 uma nova mudança, quando a unidade escolar torna-se o EREMJAM, uma escola de referência em ensino médio.

Neste 21 de junho de 2015, completaram-se 90 anos do Virgínia Loreto, do Rui Barbosa, do CERU, do EJAM, do EREMJAM… o nome não importa; quem é grande, quem tem história, jamais será esquecido. Por isso, agora é publicado um livro que reúne notas de jornais antigos, trechos de portarias, algumas memórias e fotografias. Enfim, é um pouco do que ainda pode ser feito pelo resgate da história de uma das instituições mais antigas de Pesqueira, falta pouco para o seu aniversário de 100 anos e não faltam motivos para comemorações.

Eu, como ex-aluno do CERU, preciso confessar que a obra é mais como uma declaração de amor do que um trabalho de pesquisa, embora tenha tentado assim fazê-lo, para que o público em geral possa aproveitá-lo.

Ai está o livro, que chamei de “O Grupo Escolar Ruy Barbosa: de Virgínia Loreto a José de Almeida Maciel”, é minha homenagem à escola e minha esperança de que outros continuem essa busca pelo seu passado, divulgando-o e contribuindo para que sua história nunca seja esquecida.


O livro pode ser comprado:

Pelo Clube de Autores pelo link https://www.clubedeautores.com.br

Pelo e-mail contato@pesqueirahistorica.com




Que é feito de Seu Queiroz?

Por Jodeval Duarte
(jornal Pesqueira Notícias / reprodução)


Ele passou por Pesqueira plantando o futuro. Deu voz mais extensa à população, fez uma pequena revolução criando a Companhia Telefônica de Pesqueira. E quando faltava luz - principalmente no Cinema Moderno na hora da série de Flash Gordon - era a ele que recorriam. Tempos de emoções partilhadas, tempos de vizinhanças como uma grande clube familiar. E Seu Queiroz teve muito a ver com isso. Quando? Eis a questão. Busquei, cascavilhei, perguntei, cá fora e em Pesqueira, e nada. Um silêncio e uma raridade, tanto quanto esse termo "cascavilhei", que não se encontra no Dicionário da Academia Brasileira de Letras com a nova ortografia, sequer no Dicionário Houaiss (conciso, é verdade), mas lá está no magnífico Caldas Aulete, que nunca me deixou na mão. Cascavilhar (termo de uso no Nordeste, nosso Nordeste), que quer dizer remexer, esgaravatar à procura de alguma coisa (ou de alguém, acrescento).